• Clara Padilha

*Art. comentado: Doenças infecciosas em esportes de contato



A Organização Mundial de Saúde (OMS) fez uma declaração nesta quarta-feira (11) na qual afirmou que o surto de coronavírus é uma pandemia.


  • Até então, a Organização caracterizava a doença como uma série de epidemias.

  • Após a declaração da OMS, o ministro da Saúde do Brasil afirmou que nada muda com a nova definição e que o país continua o monitoramento das áreas atingidas e com iniciativas já anunciadas.

  • No Brasil, os números foram atualizados e somam-se 52 casos confirmados e 907 suspeitos (dados de 11/03/2020).


Nesta quarta-feira, o governo da Argentina anunciou a suspensão de torneios esportivos durante o mês de março, enquanto que a Conmebol confirmou que todos os jogos de competições internacionais no Paraguai acontecerão com portões fechados.


Essas medidas acontecem como forma de prevenção ao surto do Covid-19, e atinge as atividades de torneios, competições, passeios esportivos e eventos esportivos.


O adiamento de competições Pré-Olímpicas é um prejuízo, certamente, pois os atletas buscam uma vaga nos Jogos Olímpicos de Tóquio-2020. Mas o momento também é uma oportunidade de aprendizado (em todos os segmentos) e, sendo o atleta uma população de risco, seja pela supressão imunológica e viagens constantes, seja pelo convívio extenso com outras pessoas (natureza do trabalho) e exposição ao risco, podemos utilizar esse artigo como ponto de partida para entender um pouco mais sobre as doenças infecciosas e as atividades esportivas.


Sabemos que as infecções são, de fato, comuns nos esportes de contato.


Esta revisão descreveu a epidemiologia, apresentando sinais e sintomas, diretrizes de tratamento e regulamentos para várias infecções comuns observadas em atletas de esportes de contato, incluindo: infecções bacterianas da pele, vírus herpes simplex, molusco contagioso, verrugas comuns, sarna, piolhos, conjuntivite, vírus da imunodeficiência humana (HIV), vírus da hepatite C e doenças evitáveis ​​por vacina.


Os profissionais que cuidam desses atletas devem estar cientes das infecções mais comuns e seu manejo, bem como das regras e regulamentos de seu estado local e região.


Diagnóstico precoce e tratamento clínico adequado são importantes para o tratamento do atleta infectado, minimizando o risco de transmissão, minimizando o tempo perdido na competição e prevenção de grandes surtos, que é algo que estamos precisando neste momento.


Além disso, o tratamento de infecções em atletas de esportes de contato geralmente precisam ser individualizados, levando-se em consideração questões específicas de duração do tratamento, tempo na competição, temporada, padrões locais de resistência e fatores do atletas como a aceitação de medidas profiláticas, alergias e possíveis efeitos colaterais de medicações (como hipossalivação, por exemplo).


Uma das lesões mais comuns que o CD do esporte se depara é a herpes, simples ou gladiatorum, que é caracterizada na tabela 1 do artigo:

E seu manejo da herpes simples e da herpes gladiatorum é relatado na tabela 2:

A transmissão é quase exclusivamente do contato direto com a pele. Vários estudos indicaram que os tapetes de treinamento e outros "assoalhos" não contribuem para a disseminação da infecção.



Interessantemente, o artigo pontua sobre a responsabilidade dos profissionais em identificar o paciente zero nas competições, relatando que poucos são os atletas identificados já nas apresentações iniciais. Os autores falam que quando surtos ocorrem, a mídia popular tende a se concentrar em questões de higiene ou saneamento, em vez da onipresença e facilidade de transmissão do vírus (que poderiam ter sido evitados inicialmente com o diagnóstico precoce do primeiro atleta infectado).





O HBV é uma doença evitável pela vacina.


Precauções universais são importantes para impedir a propagação do vírus a suscetíveis indivíduos, mas altas taxas de vacinação e resultante imunidade tornaram a infecção por HBV cada vez mais incomum.




Segundo os autores o risco de exposição ao HIV em esportes de contato é muito baixo, mas o uso de de precauções universais de patógenos transmitidos pelo sangue ainda é importante:

- Ferimentos hemorrágicos devem ser cobertos.

- Sangue em uniformes, esteiras, ou outros apetrechos devem ser limpos com água e sabão, água sanitária, peróxido de hidrogênio ou outros agentes com propriedades antivirais.

- Os profissionais de saúde devem usar luvas sempre que fizerem contato com fluidos corporais.


Importante salientar que o vírus não restringe a participação esportiva.


Concluem que doenças infecciosas, especialmente infecções da pele, são comuns em atletas de esportes de contato.


Monitoramento próximo e alto níveis de suspeita são importantes para o diagnóstico precoce e mais eficaz.


Controle de infecção é alcançado principalmente através de ações agressivas e pela remoção de atletas infectados do jogo até que não sejam mais contagiosos.


Também podemos tirar de ensinamento deste artigo que a maioria das infecções é transmitida através do contato humano-humano direto. Tapetes, tatames e outros acessórios servem apenas como vetores menores.

Aproveitando o embalo, é sempre bom contar com alternativas de prevenção em momentos como os que vivemos, portanto:


Boa semana, Beijos!

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